segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Algo sobre a minha vida

Em meio a tantas decisões a tomar na 1a semana do ano, resolvi priorizar a saúde. Sofro de uma doença crônica chamada colite ulcerativa, é uma doença inflamatória intestinal. Um problema sério que me afeta emocionalmente e tem me tirado a paz.

Tenho sentido muita dor, apesar de estar fazendo o tratamento correto, preciso vencer esse período de crise, quando a doença está em atividade. Peço forças a Deus para me ajudar nessa luta.

Quase sempre me queixo de dor aqui no Facebook e alguns amigos perguntaram o que eu tinha. Agradeço a preocupação e podem ter certeza que vou precisar de vocês nessa fase.

Se eu pudesse, não deixaria mais o meu namorado preocupado e sem saber o que fazer quando sinto dor e passo mal. Imagino como deve ser difícil pra ele essa sensação de impotência. Ele, ao mesmo tempo, precisa ter paciência em meio ao nervosismo. Queria dizer ao Marcus que eu o amo muito e sei que ele faz o que pode.

A mesma coisa acontece com a minha família. Meu pai esteve em Brasília no fim de ano, quando eu estava de licença médica, e viu meu sofrimento. A minha amiga Ercilia Wanzeler que ficou hospedada na minha casa antes dele também viu. Meu pai ficava nervoso, perguntando porque essa doença não tem cura, se não é melhor trocar de médico.

A minha médica, Helenice Arantes de Faria, é a melhor especialista em doença inflamatória intestinal de Brasília. Ele atende no Hospital de Base, que é da rede pública. Como os meus medicamentos são caros, os recebo de graça na Farmácia de Alto Custo, por meio do Ministério da Saúde. Ou seja, como vou trocar de médico? Pelo plano de saúde, não teria todos esses cuidados.

Por conta da colite, tive que abandonar um sonho, o Leandro Mazzini, o Carlos André Duda, o Gustavo Krieger e o Rudolfo Lago sabem bem do que estou falando. Me mudei pra Brasília com uma mala na cabeça com o desejo de ser repórter de política.

Mas a experiência como assessora parlamentar no Senado - apesar de ter aprendido muito e conhecido pessoas incríveis como a Georgina Tolosa Galvão, o Luiz Araújo, a Marinor Brito, o Edmilson Rodrigues, o Juliano Medeiros, a Romênia Macedo e tantos outros - não trouxe só coisas boas pra mim. Era muito trabalho, estresse, não tinha vida pessoal. A doença, que foi diagnosticada em 2006, voltou de repente em 2009. Após sucessivas crises, precisei ser internada.

Nos dez dias que fiquei no hospital, pensei bem sobre o que estava fazendo da minha vida. Primeiro, eu deveria ter iniciado o tratamento em 2006. Não o fiz porque após a colonoscopia, eu tive uma melhora e virei a página.

Passei seis anos da minha vida trabalhando duro em Belém. A Cleide Pinheiro, a Nara Bandeira e o Gerson Nogueira acompanharam. Na Temple Comunicação, aprendi tudo que eu precisava para então seguir o meu caminho. No Diário do Pará, cobri política – começou então a construção do sonho de morar em Brasília - e fui premiada. Convivi, nesses dois lugares, com profissionais e colegas incríveis, alguns se tornaram amigos.

E na hora de ir embora, recebi o apoio inesquecível dos fotógrafos Wagner Meier, Tarso Sarraf e Raimundo Paccó. Principalmente, o Wagner Meier, que ficou do meu lado até o fim, sem me deixar desistir. São amigos que sinto muita falta. Mas a vida, como diria Vinicius de Moraes, é arte dos encontros e desencontros.

A família também foi fundamental. Meus pais com todo o apoio possível e as minhas primas Jéssyca e a Joyce, ombros na hora das lágrimas e risadas. Elas sabem exatamente por tudo que passei e passo.

Pois bem, após toda essa dedicação, incluindo o período no Senado, me dei conta de que precisava parar. Que se eu fosse repórter de política em Brasília, minha vida ia ficar de pernas pro ar e eu precisava assumir que estava doente. Pensei em voltar pra Belém, mas recebi uma proposta de trabalho para meio período. Resolvi ficar. Tudo melhorou muito, mas a doença quer voltar. A crise é bem menos intensa do que a que me levou ao hospital. Mas não deixa de ser dolorosa e difícil.

Tenho certeza que se já passei por coisa pior, devo superar essa fase.

Aos amigos, principalmente aos jornalistas, peço: cuidem da saúde, tenham vida pessoal, dêem atenção a suas famílias. A vida não é só trabalho. Não há glamour no jornalismo. Jornalismo, para quem atua na área como assessor ou repórter em empresa de comunicação, seja lá onde for, é trabalho, como qualquer outro. Não significa ser melhor do que ninguém. Falo por experiência própria: catar os cacos depois é muito pior.

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